sábado, 6 de março de 2021

 (Pensando alto) 


Falamos em fazer amor, mas amor se faz? 


Amor é autodependente,

 presença irritante que não pede nenhum favor a não ser nossa própria destruição. 

Aparece sem sem convidado e não vai embora se 

ordenado... 

Amor sufoca, amor corrói, amor destrói... 

Corrompe e invade nossas cabeças; 

amor é martelo, sino retinindo, marcação constante que não dá brecha pra contra-ataque, carrapato chupando sangue da pele, amor que 

machuca - repele.

Amor obsessão. 

Amor torneira pingando: 

até quando, 

até

quando, 

até quando?


Entoa cantos de exaustão em nossa mente

Amar-te até a morte, 

até Vênus, 

até a lua que te dei, até os anéis de Saturno que te prometi buscar (mas promessas de amor não valem nada, meu amor)...

Esse amor indiferente que me 

ocupa os pensamentos,

 amor que nos carcome paulatinamente, 

câncer faminto, 

ácido 

de um sim negativo,

vida que brota destruindo.

Resto de vida que se torna 

desatino... 


Mas amar não é negar o medo, a razão, o tempo? Amar é negar a si próprio 

quando você quer mesmo é que o outro seja você! Amar é afirmação nascida de negativas, e não amar é sofrer mais. 

Uma vez me falaram da liberdade do 

vento... 

Livre sou eu na prisão dos teus braços!

Liberdade sem limites acaba em anarquia, em niilismo destruidor, surubas sem tesão. 

Amor é como uma fotografia que fixa limites para superá-los. Amor é renúncia a muitas coisas, mas também a maior transcendência que podemos almejar neste mundo. 

Amar é tornar dois um, e amor mais perfeito não há do que a mãe com seu 

filho no ventre. 

Amor é parto, é dor; nascemos chorando, 

vivemos sofrendo e 

morremos amando...

Morremos de amor....