quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Por quanto tempo eu delirei?
Perco a noção de quando foi que me desprendi da realidade, 
do meu corpo, todo, 
de quando deixei de sentir minha carne, crua, 
de quando foi que me expus assim,
Nua.
Como foi que me permiti flutuar nessa ilusão desprovida de qualquer sentido e sentimentos que não fossem os meus?
Teus.
Sonho. 
Calculo o tempo, o espaço, a falta, 
essa imensidão iludida de nadas que eu insisti por tantos anos, sozinha, desprendida, eu, ali, não sendo minha. 
O tempo todo foi só eu. Sonho, só. Meu. 
Flutuo em meio à dor dilacerante da despedida. 
Fim. Ao meio. Invade o peito, alcança meu seio.
Meu peito, antes tão teu, os dois, um par. 
Partida.