quinta-feira, 27 de junho de 2013

I

Ela acordou mais bonita naquele dia, por mais que a noite tenha passado em claro. Agora era sempre assim, desde a primeira vez. Passava as horas, os dias, as semanas, às vezes até mesmo os meses, esperando. Sempre esperando. Havia se arrependido de todas as vezes em que invertera a ordem correta das coisas, que no momento, parecia ser: esperar. Logo ela, tão paciente quanto uma chaleira fervendo no fogão, não podia fazer nada a não ser esperar.

Olhando-se no espelho se viu mulher. Sentiu-se menina. As mesmas emoções de uma adolescente. Nem parecia que a vida já havia tomado o rumo que tomara, que os acontecimentos haviam modificado todos os seus planos.

Adorava sentir o coração disparado, as mãos suando frio. Adorava poder novamente sentir. No começo até resistiu, talvez até mais por medo do que por opção. Mas não demorou pra sua vontade se transformar num desejo incontrolável, insaciável. Um desejo de vida, um desejo do novo, um desejo de apego.

Sempre foi uma pessoa completamente entregue às sensações. Acreditava que as sensações eram a verdade dos sentimentos. E naquele dia, especialmente, entregou-se àquela sensação de proibição que enlouquecia sua cabeça enquanto era enlouquecida no colchão. Quem sou eu, perguntava, enquanto apreciava a expressão de satisfação em seu rosto. Não conseguia definir no que havia se transformado, mas sabia dizer, já naquele momento, que nunca mais seria a mesma.

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