sábado, 29 de junho de 2013

Sem apego
Tem sossego
Revela, calma
Se vive sem
Se tem apego
Perde-se, medo
Desassossega a alma
que a gente tem

quinta-feira, 27 de junho de 2013

I

Ela acordou mais bonita naquele dia, por mais que a noite tenha passado em claro. Agora era sempre assim, desde a primeira vez. Passava as horas, os dias, as semanas, às vezes até mesmo os meses, esperando. Sempre esperando. Havia se arrependido de todas as vezes em que invertera a ordem correta das coisas, que no momento, parecia ser: esperar. Logo ela, tão paciente quanto uma chaleira fervendo no fogão, não podia fazer nada a não ser esperar.

Olhando-se no espelho se viu mulher. Sentiu-se menina. As mesmas emoções de uma adolescente. Nem parecia que a vida já havia tomado o rumo que tomara, que os acontecimentos haviam modificado todos os seus planos.

Adorava sentir o coração disparado, as mãos suando frio. Adorava poder novamente sentir. No começo até resistiu, talvez até mais por medo do que por opção. Mas não demorou pra sua vontade se transformar num desejo incontrolável, insaciável. Um desejo de vida, um desejo do novo, um desejo de apego.

Sempre foi uma pessoa completamente entregue às sensações. Acreditava que as sensações eram a verdade dos sentimentos. E naquele dia, especialmente, entregou-se àquela sensação de proibição que enlouquecia sua cabeça enquanto era enlouquecida no colchão. Quem sou eu, perguntava, enquanto apreciava a expressão de satisfação em seu rosto. Não conseguia definir no que havia se transformado, mas sabia dizer, já naquele momento, que nunca mais seria a mesma.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O que fazer com o que não se pode dizer?
Como disfarçar o inevitável?
Falo sobre as emoções mais puras, os desejos mais sinceros.
Tudo aquilo que a gente insiste em sentir, reeditar, transformar, de novo, outra vez.
Como se houvesse poção mágica que aniquilasse o desejo, como se houvesse magia capaz de transformar um sentimento que de tão seu, nunca chegará a ser nosso.
Se lembranças acalmassem, talvez eu fosse capaz de suportar conscientemente a falta que me faz. Como sentir falta de algo que nunca te pertenceu? Como preencher essa espaço? Enlouqueço em devaneios com a lembrança do seu toque e da sua barba bagunçada. Seu olhar me congela, fico nua. Já senti tanto desejo? Não consigo me lembrar. Apenas sei que certas coisas eu não sei sentir... não sem perder a cabeça, não sem deixar de usar a razão. Me perco em mim quando perco a sensatez. Não importa o tempo que passou, não cresci, não sei brincar sem ter envolvimento, não sei diferenciar o tesão.
Quisera eu poder te dizer agora que sinto falta do seu beijo, do seu corpo. Tá liberado sentir saudade? O que a gente faz com o que se comprometeu a não sentir? Eu disse que não queria nada sério; mas nunca disse que não me apaixonaria por você.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Enquanto mais o tempo passa mais eu desaprendo. Vou fazendo o caminho inverso, vou seguindo reto na curva. Tento cavar um buraco na parede quando era mais fácil abrir o portão. Quando eu posso subir a escada, prefiro pular o muro. Quando encontro a chave, troco a fechadura. Pra que abrir a porta? Deixo-me pular a janela. Deixo-me cair no chão.

Mudo o Cruzeiro do Sul de lugar. Ando em círculos com o mapa na mão. Desenho o sol nascendo quadrado. Por que não?

Fico perdida na minha atitude quando me distraio com a outra longitude. Olho pro relógio e não sei dizer que horas são. Quero brincar de estátua no meio da corrida e só ir dormir na hora de acordar. Tento contar estrelas quando o dia amanhece, procuro ver os raios de sol em noites de luar.

Tiro a roupa no frio e me cubro com o seu calor. Quando surge a ventania, ligo o ventilador. Avanço no sinal vermelho e se está verde ando devagar. Sei que se eu rodar fico tonta, então, paro e observo meu mundo girar. E é assim, de ponta-cabeça que eu me ponho em pé. Sigo em frente pela contramão.