terça-feira, 14 de dezembro de 2021

 Era um fim de tarde bonito quando você deixou de me amar. Desses que vão ficando cor de rosa alaranjado até transformarem o céu numa imensidão de cor. Eu percebi que seus olhos não retribuíram o brilho dos meus e senti meu peito pesar como um milhão de estrelas que deixaram de existir e só se tem notícias pela luz prestes a se apagar. 

Era uma noite fria quando você deixou de me amar. O silêncio confortável que existe entre duas pessoas que se completam há muito tempo, foi abalado por um barulho estranho, vindo de dentro do meu peito. Nossas mãos se desencontraram embaixo do cobertor e não se fez mais calor. 

Era uma manhã preguiçosa quando você deixou de me amar. Você não me segurou com força embaixo do lençol e não me envolveu na prisão dos teus braços para que eu ficasse mais perto. Você logo estava longe, com gosto de café. E eu senti um gosto amargo, sozinha demais longe do seu abraço.
 
Era um dia normal quando você deixou de me amar. Você viu um livro que eu gostava na estante, minha bolacha preferida na prateleira, minha bebida preferida em promoção, meu quadro na parede e não se lembrou de mim. E foi assim, num dia como outro qualquer, que você deixou de me amar. 


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